2.1.10

30 de Julho, quatro anos atrás!

Bem legal termos encontrado esta foto do evento em que nos apresentamos pela primeira vez.
Foi o evento do "Cefam", o do dia 30 de Julho de 2006...
Na foto quem se apresenta é o "Boneca Costurada" (atividades encerradas...), tocou logo na sequencia da gente, que na época, ainda era o "Blandina"...
Neste Link, uma outra postagem sobre este mesmo evento...
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5.12.09

O Povo de Deus Volta a Atacar!

Sente esse diálogo:


[Telefona toca]



- Alô.
- Alô. Queria falar com a Dona “...[óbvio que vou preservar o nome]”
- É ela. Quem quer falar?
- Não posso falar meu nome. Tô te ligando pra avisar, acabei d ver seu filho com o namoradO dele na rua... Tô avisando porque sei que a senhora é temente a Deus...
- (um silêncio, por um momento)... É, mas eu não criei filho pra mim, criei pro mundo, né...
- Ué, mas eu pensei que a senhora fosse religiosa!
- Não, eu sou cristã, não religiosa.
- É, já não se fazem mais crentes como antigamente...


[fim do diálogo primoroso...]



A edificante conversa aconteceu há algumas semanas, já...


Até tinha pensado em deixar pra lá, mas esse tipo de estupidez me deixa perplexo demais, sabe...


Não é novidade que o ‘povo de deus’ vez por outra atenta pra orla dessa praia que vos redige, como você bem pode conferir visitando este link duma postagem mais antiga...



Não pretendo me deter muito tempo em cima de muitos argumentos a respeito duma fé que considera afinidade e desejo entre duas pessoas do mesmo sexo como algo pior do que uma ligação anônima (portanto, nivelada à mentira) e que, a uma senhora causa um espanto e medo enormes! Um pouco difícil acalmar a alguém simples e de hábitos caseiros depois duma ligação dessas e isso, imagino, o Espírito Santo, consolador, onipresente, onipotente, onisciente deveria saber.



‘Deveria’... Mas pra isso é necessário ser um pouco menos inútil do que o povo que o reinventa de tempos em tempos, e inútil é algo que Jesus não consegue deixar de ser...


Gostaria de deixar um recado a qualquer um que porventura leia esta nota e compartilhe dessa comunidade de adoradores do dinheiro. Este ‘servo’ que fez esta ligação... Ele é a representação máxima do cristianismo, ele é o resumo absoluto do que é um ‘servo de deus’ e da estupidez necessária a se colocar diante desse coito anal em forma de fé,que é o seu deus.



E, veja bem: isto é uma GENERALIZAÇÃO. Eu estou abertamente generalizando a qualquer um que atenda a esta fé, indiferente de concordar ou discordar do ocorrido. Este é o teu semelhante, é assim que você é, é assim que você fica. E antes que sejam soltas bostas sobre estar ofendendo até a minha mãe, me preocupo tanto, mas tanto com ela que preciso mostrar em quê o deus dela se ocupa...

Pelos frutos ainda se reconhece uma árvore, e essa invenção esquisita, essa prova de desvario moral que é jesus não se isenta disso...



Acha drástico de minha parte? Converse com o profeta de vocês que deu o telefonema.


Não dá a mínima?! Normal. Faz uma ligação anônima você também. Pede pro Deus de Abraão, de Isaque, de Jacó e de “Davi, O Promíscuo” te revelar o número novo de meu telefone, igualzinho ele fez pra essa criatura do século XIX. (Silas Malafaia...?)



E, bem legal comentar, sabe quem era “o meu namorado” que viram comigo? O Douglas!
(risos, muitos risos...) ...


Triste, né? O ‘Espírito Sacana’ é tão, mas tão fajuto que eu nunca tive nada, absolutamente nada com o Douglas...

Ele nem faz meu tipo...

Augusto Miranda


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2.12.09

Mais notas de "O Cortiço" - A Primeira vista da Pedreira...

[ Do Capítulo IV de O Cortiço – João Romão E Jerônimo avaliando a Pedreira... ]

"Aqui, Ali, por toda parte, encontravam-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo de pequenas barracas feitas de lona ou de folhas de palmeira. De um lado cunhavam pedra cantando; de outro quebravam a picareta; de outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão; mais adiante faziam paralelepípedos a escopro e macete. E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a rocha para lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada; tudo dava a idéia de uma atividade feroz, de uma luta de vingança e de ódio. Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que os contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito."

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“A Revolução Desconhecida” - Volin

[Quando da formação do primeiro conselho operário (‘Soviet’), e da tentativa de eleger o professor e intelectual Voline como dirigente... segue sua resposta, tão aplicável a tantas e tantas áreas da vida em sociedade...]

“Ao mesmo tempo, foi colocada uma outra questão: Quem dirigiria os trabalhos do Soviet (Conselho)? Quem seria colocado à sua direção? Os operários presentes propuseram, sem nenhuma hesitação, o meu nome.


“Muito emocionado pela sua confiança, recusei todavia a proposta com energia. Eu disse a meus amigos: ‘Vocês são operários. Vocês querem criar um organismo que deverá se ocupar dos interesses operários. Aprendam então desde o princípio a cuidar vocês mesmos dos seus negócios. Não confiem o seu destino a pessoas que não pertencem ao seu meio. Não venham escolher novos senhores: eles acabarão por dominá-los e por traí-los. Estou convencido de que no que toca as lutas e a emancipação de vocês, ninguém, exceto vocês mesmos, poderá jamais alcançar um resultado verdadeiro. Por vocês, por cima de vocês, no lugar de vocês, ninguém fará nada, nunca. Vocês devem achar o presidente, o secretário e os membros da comissão administrativa em suas próprias fileiras. Se vocês precisarem de informações, esclarecimentos, de certos conhecimentos especiais, enfim, de uma ajuda intelectual e moral baseada em uma instrução aprofundada, vocês poderão se dirigir a intelectuais, a pessoas instruídas que deverão sentir-se felizes não de vos dirigir como senhores, mas de vos trazer seu auxílio sem se meter nas questões da organização de vocês. É dever deles prestar-lhes esse concurso, pois não é por culpa de vocês que lhes falta a instrução indispensável. Esses amigos intelectuais poderão mesmo assistir às reuniões – com voz consultativa, sem mais.’"

Voline, em “A Revolução Desconhecida” – Livro 01, capítulo II
Tradução de Jaime de Almeida, em 1980
Global Editora e Distribuidora Ltda.
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1.12.09

"GADARA..." ('Legião, porque somos muitos...')

Na ilha, abarrotada de tábuas, tapumes... pregos...
constrangida pelo lixo e frustração acumulados ao longo do tempo,
mulheres e homens de globos oculares vazios e crianças amontoadas sob o sol

Avistam no horizonte, sentido centro, o céu sendo arranhado por totens
erigidos antes da fundação do bom senso...
Um louvor a um tempo de brindes e deleites
em que a má intenção e a posse vinculada ao status...
Triunfaram!
Um pouco antes do centro, como uma cortina que atenua a verdade aos da ilha
E os pemite ver da vida dos que brindam apenas o que lhes serve como bússola,
se ergue uma torre de fumaça...
"A ilha deve queimar!"...
"Tão logo abasteça aos de longe no horizonte, a ilha deve queimar!"...
A ilha logo não terá mais espaço.
Descontentamento cresce na ilha...
antes de se tornarem homens e mulheres de globos oculares vazios
haverá sangue nos olhos das crianças na ilha...
"O totem deve queimar!"
"Nosso nome é 'Legião', porque somos muitos..."
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29.11.09

Uniban: a espetacular fábrica de canalhas

Manifestação dos Alunos Uniban São Bernardo do Campo.
Escrito na placa: "A instituição é séria";
"Ela mancha a imagem de todos os alunos";
"Puta, Puta, Puta"
Uniban: a espetacular fábrica de canalhas
por Mauro Carrara, em 07 de novembro de 2009
Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.
A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja.
O texto publicado pela Uniban deve converter-se imediatamente em peça de estudo para juristas, educadores, antropólogos e sociólogos.
A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras dos próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.
Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta".
Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.
Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem.
Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões.
Diz ele: "Os indivíduos de uma multidão que possuem uma personalidade bastante forte para resistirem à sugestão são em número tão diminuto que acabam por ser arrastados pela corrente".

Le Bon lembra que, em determinadas situações, a multidão transforma o indivíduo civilizado num bárbaro, num ser primitivo, movido pelo instinto, que vibra com o ataque ao inimigo inferiorizado.
Poucas vezes se viu isso tão claramente quanto no episódio de 22 de Outubro. Há garotas inconformadas com a sina; afinal, não têm o corpão de Geisy. Há machões conquistadores não correspondidos, movidos pelo instinto de vingança. Por fim, a turba ignara que se diverte com a perseguição, algo muito semelhante à farra do boi.
A curvilínea e voluptuosa Geisy, que concedeu entrevistas aos programas televisivos vespertinos, exibiu-se no mesmo vestido que gerou a fúria de seus colegas de universidade.
Nada formidavelmente pecaminoso como se poderia imaginar. Aliás, fosse ela mirrada e poucos notariam a ousadia de suas vestes.
Esses aspectos objetivos da questão foram ladinamente desconsiderados pela direção da universidade.
Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas.
A decisão funciona como um sinal verde para os moralistas cafajestes de todos os tipos. Esse incentivo criminoso, pois, não se limita aos clientes da instituição, mas ao conjunto dos estudantes brasileiros.
Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase:
"Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer".
No caso em debate, a Uniban fez exatamente o contrário. Desprezou o sujeito, deseducando- o. Concomitantemente, priorizou o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas.
Dessa forma, trocou todas as regras da civilidade por um repugnante código de carceragem.
O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso.

Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos.
Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-carrara-uniban-a-espetacular-fabrica-de-canalhas/


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16.11.09

Honduras abala a Doutrina Monroe...

Matéria extraída da (ótima) edição de outubro da Caros Amigos (a quetem o Ferréz na capa)



Por José Arbex Jr.


A “crise de Honduras” sintetiza e ilumina um momento histórico ímparna história mundial. Pela primeira vez desde 1823, quando James Monroeformulou a doutrina que leva o seu nome (“a América para osamericanos” - quanto, de fato, tinha em mente “a América para osestadunidenses”), Washington, nitidamente, perdeu o controle e ainiciativa sobre os desenvolvimentos políticos e sociais na AméricaLatina e no Caribe.


O papel assumido pelo Brasil, nesse quadro, tem dimensão explosiva: emnome dos princípios democráticos que devem nortear a relação entre osEstados, o governo brasileiro não se limitou a “condenar” o regimegolpista, nem se contentou com sanções limitadas. Isso pode inauguraruma nova etapa na relação do Brasil com a comunidade mundial dasnações, e abrir o caminho para novos desdobramentos democráticos naAmérica Latina.


Exagero? Excesso de otimismo? Precipitação na análise política?Dificilmente. Vamos aos fatos:1. A América Latina e o Caribe tornaram-se mais importantes do quenunca para os Estados Unidos, após o fiasco no Iraque e noAfeganistão. Não “apenas” porque as reservas estratégicas de petróleoestadunidenses estão esgotadas, mas também por tudo o que representa aAmazônia em termos de reservas de petróleo, biodiversidade, minerais e água.


2. Apesar disso, Washington fracassou em todas as suas tentativasrecentes de “eliminar os obstáculos” ao seu controle da região. Nãoconseguiu tirar Hugo Chávez do poder, no golpe desferido em abril de2002; fracassou ao tentar fabricar uma guerra civil para eliminar ogoverno de Evo Morales, em 2008; e, talvez mais humilhante ainda: aotentar prolongar o acordo que permitia o funcionamento da base militarde Manta, no Equador, teve que aceitar o tapa na cara desferido porRafael Correa (o presidente equatoriano respondeu que, sim, topariarenovar o contrato, se os Estados Unidos admitissem a instalação deuma base militar equatoriana na Flórida!).


3. O golpe em Honduras se inscreve nesse quadro geral. Os golpistashondurenhos conseguiram, momentaneamente, aquilo que os demaistentaram sem sucesso. Acreditar que as oligarquias hondurenhasarquitetaram o golpe sem o conhecimento da embaixada dos EstadosUnidos é prova suprema de ingenuidade ou má fé (ou uma mistura dosdois). O embaixador estadunidense em Tegucigalpa foi colocado no cargopela turma de George Bush filho. É partidário incondicional daDoutrina Monroe. É até possível que Barack Obama tenha sido pego desurpresa, mas jamais os serviços secretos dos Estados Unidos. Emqualquer hipótese, é bastante óbvio que Washington, por mais que tenhacondenado o golpe, não ficou nada feliz com a adesão do presidentedeposto Manuel Zelaya à Alba e ao Petrocaribe.


4. Barack Obama emite sinais contraditórios e incoerentes, o que é umaprova de falta de um plano estratégico para enfrentar a situação. Oufalta de força para aplicar de forma coerente e decidida umaestratégia qualquer. De um lado, Obama proclama “o fim da era em queos Estados Unidos davam as cartas” na América Latina. De outro lado,prolonga o boicote econômico a Cuba, mantém o Plano Mérida para oMéxico e para a América Central, e o de instalações de bases militaresna Colômbia.


5. Mas Obama enfrenta uma inédita demonstração de resistência ereprovação por parte da imensa maioria dos governos latino-americanos.É nesse ponto que ganha grande relevância o papel assumido peloBrasil. Nos últimos meses, o presidente Luís Inácio Lula da Silvaemitiu claros sinais de uma “virada à esquerda” na política externa.Ao anunciar a descoberta do pré-sal, por exemplo, denunciouimediatamente os movimentos da Quarta Frota dos Estados Unidos(encarregada de “vigiar” os mares da América Latina e do Caribe),estabelecendo um nexo entre as coisas. Depois, Lula demonstroupreferência pelos aviões de guerra da França, sob alegação de que aestadunidense Boeing não transfere tecnologia. Em seguida, Lulacondenou o prolongamento do bloqueio a Cuba e declarou a intenção deinterpelar Barack Obama sobre o assunto. Finalmente, o Brasil acolheuManuel Zelaya como presidente legítimo de Honduras.


José Arbex Jr. é jornalista



Para ler o artigo completo e outras reportagens confira a edição deoutubro da revista Caros Amigos...





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Santa Blandina...



Alguém vai entender o motivo da postagem desta gravura...






'Santa Blandina' por Jan Luyken - 1660, Amsterdam...





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Três links para a Uniban de São Bernardo do Campo...


(clique nos links em suas respectivas palavras)

Aos estudantes do curso de misoginia
da UniBan de São Bernardo do Campo:

FODAM-SE...

Pichação em frente À uniban SBC


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OS CEGOS Juízes das cores [Voltaire...]

[Voltaire, em “O Filósofo Ignorante”]


Nos começos da fundação dos Quinze-Vingts, sabe-se que eles eram todos iguais e que os seus pequenos negócios se decidiam na pluralidade das vozes. Distinguiam perfeitamente, pelo tato, entre a moeda de cobre e a de prata; nenhum deles jamais bebeu vinho de Brie por vinho de Borgonha. Seu olfato era mais fino que o de seus vizinhos que tinham dois olhos. Raciocinavam perfeitamente sobre os quatro sentidos, isto é, conheciam eles tudo o que é permitido saber a tal respeito; e viveram pacíficos e afortunados tanto quanto Quinze-Vingts podem sê-lo. Infelizmente um de seus professores pretendeu ter noções claras sobre o sentido da visão; ele se fez escutar, intrigou, formou entusiastas: enfim, reconheceram-no como chefe da comunidade. Pôs-se a julgar soberanamente as cores, e tudo se perdeu.
Esse primeiro ditador dois Quinze-Vingts formou a princípio um pequeno conselho com o qual se tornou o senhor de todas as caridades. Por esse meio ninguém ousou resistir-lhe. Decidiu que todos os hábitos dos Quinze-Vingts eram brancos: os cegos acreditaram; não falavam senão de seus belos hábitos brancos, conquanto não houvesse um só dessa cor. Todo mundo zombou deles, e eles foram queixar-se ao ditador, que os recebeu muito mal; tratou-os de inovadores, de espíritos fortes, de rebeldes, que se deixavam seduzir pelas opiniões errôneas dos que tinham olhos e que ousavam duvidar da infalibilidade de seu senhor. Essa querela formou dois partidos. Para apaziguá-los, o ditador promulgou um decreto pelo qual todos os seus hábitos eram vermelhos. Não havia um só hábito vermelho nos Quinze-Vingts. Zombaram deles mais do que nunca: novas queixas da parte da comunidade. O ditador ficou furioso, os outros cegos também: por muito tempo se combateu, e a concórdia só se restabeleceu quando foi permitido a todos os Quinze-Vingts suspender o seu juízo sobre a cor de seus hábitos.

Um surdo, ao ler esta historieta, confessou que os cegos tinham errado ao julgar as cores; mas manteve-se firme na opinião de que cabe unicamente aos surdos julgar a música.


PS: Agradecimentos a Camila 'Lorelei' pela ótima indicação...

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28.10.09

Represa Billings em 16 de outubro, 2009...


O Praia de Vômito é fã número um de muitas pessoas,
dentre elas a "Gijah", que foi quem bateu essa foto bacana na represa Billings, em São Paulo...
Obrigado!
"Tudo nasce para morrer.
Não existe nenhuma mulher-espírito nas árvores.
Não existe nenhum deus abaixo da terra.
Onde estaria um deus que nos abate com o veneno de uma abelha esmagada?
Que nos coloca neste lugar e depois inunda as plantações até não haver o bastante para nos alimentar?
Derrama cinzas dos céus e cega nosso gado?
Se esses são os deuses, eles têm um passatempo esquisito.
Não são deuses que nos recebem,
além dos túmulos,
apenas

vermes."

[apanhado de frases de "A Voz do Fogo", por Alan "O cara" Moore]
Agradecimento especial à "Gisely - Gijah"...

"Presente, Agora e Sempre..." [MTST]

No dia 28 de outubro de 2009 uma garoa gelada acertava o rosto de uma pequena multidão, no começo da tarde, em frente à prefeitura de Itapecerica da Serra.A insensibilidade da gestão atual promovia o mesmo efeito congelantenos corações destas famílias - mulheres, crianças, homens - componentes do MTST instigados pelas promessas feitas em período decampanha eleitoral, com bases no anseio popular de respeito,dignidade...
Os gritos foram lançados ao ar, o frio da garoa se dissipou, deu lugarao suor de trabalahadores.A insensibilidade terá de retroceder.
Aos heróis da vida real, não há muito que possamos fazer daquí,mas seguem nossas sinceras homenagens...

"A queda da máscara e o aparecimento dos contornos do conflito de classes. Ignorância e silenciamento mantidos pelos gases nas gargantas. Apagando os gritos, amordaçando os discursos, acorrentando os pensamentos. Um luta imediata que enxerga adiante o projeto histórico da classe trabalhadora.
Colocam-se os corpos, frente ao avanço neoliberal. Assaltos aos direitos são respondidos pela expropriação através de mãos calejadas hasteadas ao alto."

"Catraca" - por Ayat Akrass, em
"Como Uma Tela Pintada Com Nosso Sangue"




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18.10.09

Eles brincam...!

Não sei bem o quanto essa informação vale pra você.

Não sei o que vai fazer dela, e se, de fato, fará algo com ela...

Não sei quanto a todas as outras espécies,
mas os mamíferos,

Esses, dos quais fazemos parte,

Em geral, todos os mamíferos
[E não me recordo agora de alguma exceção...],

Brincam


...











para mais informações, um artigo bem legal, pode clicar neste link.

ou
neste aqui.

Neste aquí não.

O LOUCO ( Khalil Gibran )

Perguntaste como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,despertei de um sono profundo e notei que todas as minhasmáscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu haviaconfeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelasruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa,com medo de mim.E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado notelhado de uma casa gritou: “É um louco!”
Olhei para cima,para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha almainflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões queroubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,pois aquele que nos compreende, escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil Gibran